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Bate-papo Com Felipe Colbert
Friday 07/12/2012 às 09:00 2448 Views Arquivado em: Entrevistas

Olá bookaholics, tudo certo?

Preparados para minha primeira entrevista com autores? Se vocês quiserem que eu entreviste algum autor, ou tenham alguma pergunta para que eu faça à algum leitor, podem encaminhar para o meu e-mail e tentaremos entrevistá-los.

Meu primeiro entrevistado é Felipe Colbert, autor de A Entrevista Ininterrupta, Ponto Cego (resenha) e acabou de lançar A Última Nota, escrito juntamente com Lu Piras. Fazia tempo que não tínhamos uma entrevista no blog, então vamos direto ao ponto :D

1) Olá Felipe, você é autor de três livros é especialista em estruturação de romances. Quais são suas inspirações e referencias na hora de escrever um livro para um publico tão exigente quanto os leitores de mistério?

Durante o processo de escrita, sou envolvido por muitas fontes de inspiração. Eu leio a todo instante, aprendo técnicas diferentes, sou bastante ativo em pesquisas. Todo livro ficcional que me surpreende serve como referência. Tenho uma pilha de livros que ficam ao meu lado, na mesa do meu escritório, sem contar os que leio digitalmente. Fora isso, conheço o mercado editorial há muitos anos e procuro sempre me informar sobre quais são as tendências futuras. Como na maioria das profissões, o autor precisa estar em movimento, em constante atualização.

2) No seu site diz que você trabalha com textos ficcionais de novos autores. Como você realiza esse trabalho? Como é a experiência de dividir com outras pessoas o que você aprende? Você acaba aprendendo com eles também?

Transferir conhecimento é uma das tarefas mais prazerosas que já tive em minha vida. Todos os meus alunos são um pouco do reflexo do que eu já fui um dia. Eu mantenho contato com pessoas de várias partes do Brasil, onde ensino técnicas de estruturação de romances, além de acompanhar todos os passos para construção dos seus livros. É muito engraçado quando devolvo uma cena que o autor escreveu, completamente “rabiscada”, com várias anotações minhas. À primeira vista, eles tomam um susto. Depois, com o tempo, vão compreendendo o que eu pretendo lhes ensinar. Mas é importante dizer que eu preservo muito o estilo do escritor, procuro não interferir nisso. Meu foco é no ritmo, divisão de cenas, conflitos, cenas de virada… E, é claro que a cada questionamento que recebo, sempre me exercito um pouco mais.

3) Seu último livro: A Última Nota você escreveu em conjunto com Lu Piras, como é trabalhar num livro com outro autor? Você tem previsão de quando vai lançar outro trabalho solo? Ou você vai se dedicar à divulgação o deste?

Esta é uma das perguntas que mais respondemos. Como fizemos o livro juntos? Acho que a sintonia entre os dois autores foi tão grande que o processo correu naturalmente. O projeto surpreendeu até a nós mesmos. Foram feitas centenas de trocas de arquivos, cada um depositando neles as suas qualidades. O engraçado é que esta história estava na minha cabeça há muito tempo, mas eu não me sentia confortável para escrever sob o ponto de vista de uma garota adolescente, com tantas vertentes que a protagonista deveria possuir. Foi quando conheci a Lu Piras e analisei seu trabalho (Equinócio). Fiquei envolvido com a escrita e o convite foi feito rapidamente. Ela topou, e assim nasceu a nossa parceria. Neste momento, estamos investindo na divulgação do “A Última Nota”, mas já iniciamos a construção de outro livro, que pretendemos que encante tanto quanto esse. Em 2013, nos aguardem novamente!

4) Em Ponto Cego o ilusionismo é um tema muito forte. Como é pesquisar sobre um tema tão fora do comum como esse?

Não só na questão do ilusionismo, mas todos os outros elementos que o livro possui: filmes snuff, Veneza, investigações policiais, a cegueira… A pesquisa foi muito intensa. Se o projeto todo demorou um ano para ser concluído, devo ter dedicado uns quatro ou cinco meses somente em pesquisa. Mas acho que o que mais encanta é mesmo o ilusionismo. Por si só, o tema já remete à mistério. Colocado do modo certo, isso prende o leitor à trama, faz ele avançar as páginas. Além disso, eu estive em Veneza, conhecendo a cidade. Uma das minhas maiores preocupações era descrever a cidade sem tornar cansativo. Lugares não devem ter a mesma importância que personagens. Pelos comentários que recebo dos leitores, acho que consegui a dose certa.

5) Ponto Cego tem uma abordagem diferenciada, levando ao leitor uma visão de diversos personagens. Como é criar as diversas personalidades desses personagens?

Todo autor tem que ser um bom observador. Esse é um conselho que dou aos meus alunos. Mantenha o olho ativo ao que acontece à sua volta. Analise conflitos, diálogos, gestos. Analise seres humanos. Acho que todos os meus romances tem uma gama muito grande de personagens distintos. Não sei, creio que minha escrita já nasceu dessa forma. Agatha Christie fazia isso o tempo todo, muitos personagens diferentes. Talvez seja influência de seus livros. A culpa deve ser dela. rs

6) O personagem Daniel Sachs viaja para um país desconhecido para seguir uma pista sobre a ex-mulher que recebeu pelo correio. Você também embarcaria nessa aventura para ir atrás de resposta?

Da forma como foi feito o livro, sim. Porque ele não vai apenas atrás de uma pessoa, do seu amor; ele deve resgatá-la para consertar um trauma do seu passado. Essa é a amarração do livro. “Ponto Cego” não é apenas um thriller, é um romance intenso. Se você tem a oportunidade de voltar e refazer a sua vida, reparar um erro… não faria isso?

7) Muitos leitores se identificaram com os personagens Daniel e Pacino. Podemos esperar mais alguma aventura dessa dupla?

Quanto a Daniel, sim. Em relação a Pacino, creio que o personagem cumpriu sua missão. Existe um segundo livro em desenvolvimento com Daniel e Nilla, que poderá ser lido de forma independente do “Ponto Cego”. Eu já escrevi 70% dele, mas está parado porque optei por colocar na frente os projetos para o público YA. Só que não posso revelar (ainda) qual o mistério que envolve os personagens dessa vez, apenas que se passa novamente fora do Brasil.

8) Como você acha que seus leitores vão reagir ao novo livro A Última Nota? É a chance de conquistar um publico novo?

Sinceramente, eu não sei a resposta… A editora Novo Século, a quem eu dedico todo o esforço, acredita muito na grandiosidade do projeto. Mudar o público-alvo é uma experiência avassaladora para mim, como escritor. Neste momento posso dizer que estou sentindo minha espinha congelada, porque o autor profissional sempre escreve pensando no leitor. Pra mim, o leitor não apenas compra livro, como vende. Se ele gosta, divulga. Senão, o livro morre na estante. Estou ansioso por saber como será a receptividade. Uma coisa muito curiosa é que nem todas as respostas no livro são explícitas… Será que vão entender as mensagens? Os personagens são cativantes? O Rio de Janeiro está bem retratado? E mais: com tantas opções no mercado para o público YA, o que levará os leitores a se decidirem pelo que criamos? Se vocês souberem a resposta, por favor, nos falem. :)

9) Agradecemos a sua atenção e deixamos este espaço para sua mensagem final aos leitores do Bookaholic.

Eu agradeço muito a vocês e parabenizo pelo excelente trabalho feito no site. Quem quiser, pode entrar no meu site oficial (www.felipecolbert.com.br) e conhecer mais sobre meu perfil, obras, aulas, agenda ou mandar uma mensagem. Um grande abraço e boa escrita!




Sobre o autor do post:

Sou o Gustavo, um nerd assumido! Tenho 24 anos, formado em Sistemas de Informação, moro em Urussanga - SC, Capital do Bom Vinho e da Cultura Italiana. Quem me conhece sabe que eu estou sempre com um livro na mão, e já pensando o que vou ler na sequência. Curto muitas séries, baseadas ou não em livros, e também sou fissurado em filmes adaptados de livros... And may the odds be ever in your favor!
E-mail: gustavo.ronconis@gmail.com



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4 Comentários em “Bate-papo Com Felipe Colbert”


#1 Ariane 08-12-2012 - 10:05 -
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adorei a entrevista!!! Ponto cego está na minha wishlist ;D ehehehe

[Responder]

gustavo responde:

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Obrigado Ariane :D
Eu estou querendo muito ler A Última Nota! Esta na minha wishlist também!

[Responder]

Já comentou 267 vezes e é um verdadeiro Bookaholic!

#2 Yara Prado 14-12-2012 - 11:17 -
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Vai parecer bobeira, mas minha curiosidade sobre escrever o livro com outro autor era uma coisa exorbitante. Estava quase eu mesma perguntando para o Felipe ou para a Lu pelo twitter mesmo…rsrs

O Felipe me pareceu super fofo e Ponto cego estava na minha lista desde que a Pri resenhou, então ele vai continuar lá até que eu consiga comprar o livro…rsrsrs

Bjs, a entrevista ficou DEMAIS!

[Responder]

gustavo responde:

Mozilla Firefox 17.0 Windows 7

Obrigado Yara :D

Realmente, também tinha essa curiosidade sobre como é escrever o livro com outro autor. Dizem que duas cabeças pensam melhor que uma, e como disse o Felipe, se não tiver sintonia entre os autores aí o negócio desanda.

Ainda bem que o Felipe e a Lu são grandes profissionais e que juntos conseguiram criar a história.

Quero muito ler pra saber como ficou essa parceria.

Ah! Yara, se você tiver algum autor que você queira que seja entrevistado, pode me mandar um e-mail que se for possível eu entrevisto.

Beijos

[Responder]

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