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Bate Papo Com Julien De Lucca
Thursday 19/01/2012 às 07:00 2458 Views Arquivado em: Entrevistas

Oie amigos do Bookaholic !!

Ano novo começou e a sessão de entrevistas estava precisando aparecer e fazer sua estréia nesse ano de 2012 certo? Que tal começarmos com o autor Julien De Lucca? Ele é autor do livro Ahmnat – Os Amores da Morte, resenhado aqui. Já leram a resenha? Se não leram que tal ir conferir e depois voltar aqui para ler a entrevista? Ou para quem já conhece o livro, vamos curtir agora esse bate papo com o autor? Abraços pessoal !!!

1) Julien, você é formado em Propaganda & Marketing ou seja, não é uma área diretamente ligada aos livros. Desde quando começou a se interessar em escrever?

Sempre gostei de escrever. Acredito que desde, na época, sexta série do ginásio, quando um professor de redação elogiou um texto meu, eu descobri que gostava muito de expor minhas idéias, contar histórias e compartilhar com o mundo as “alucinações” que passavam pela minha cabeça. Pensei em fazer jornalismo, por exemplo, para trabalhar essa vontade, mas o que eu realmente gostava era a fuga do real, romances que te levam para um outro lugar. Acabei fazendo P&MKT por ter um pouquinho de cada coisa que eu gostava: criatividade, fotografia, video, texto e imagem.

2) Autores favoritos, livros favoritos: quais são os seus?

São vários, mas acho que do topo da mente diria Anne Rice, Dan Brown (principalemente os dois primeiros, Fortaleza Digital e Ponto de Impacto), Lya Luft, Umberto Eco e claro, Tolkien.

3) Ahmnat-Os Amores da Morte está sendo muito elogiado. Imaginou esse sucesso em seu primeiro livro? Como foi o processo de criação de Ahmnat? Quando iniciou o livro…?

Acredito que não, hehe. Achei que não fosse fazer tanto sucesso pois a história não é fofa, não tem romancinho e situações politicamente corretas. Alias achei que iam falar muito mal do livro, dizendo que eu forcei a barra. Porém eu só tenho a agradecer a editora por ter publicado meu livro exatamente como eu queria que ele saísse: visceral, filosófico e cheio de humor negro, com uma protagonista que é uma doida varrida, mimada até a alma e provavelmente maníaca-depressiva heheh.

Eu comecei a escrever quando era bem mais novo, uns 10 anos atrás. Porém, prometi para mim mesmo que não ia apressar, ia escrever um pouquinho por vez, somente quando desse vontade e quando eu tivesse realmente vontade de continuar, nem que isso levasse 10 anos. Bom, levou 9. Mas isso foi muito bom pois se tornou o próprio processo de criação: conforme ela vai envelhecendo e se tornando mais madura durante a história, agindo com mais certeza e parando de paranóias adolescentes, eu também ia crescendo e me tornando mais maduro. Acredito que isso influenciou bastante no jeito que ela faz as coisas conforme vão se passando os séculos.

4) Ahmnat, a personagem principal é egípcia. Porque a escolha do Egito? Aliás, o nome da personagem é interessante, ele possui algum significado?

Sinceramente foi simplesmente um nome que apareceu na minha cabeça. E como Ahm é egípcio (Oásis de Ahm Shere, alguém? hehe) e a personagem começa sua história em 2.000 B.c. fazia sentido ela ser egípcia. Mas acho que também fui bastante influenciado pelo misticismo que o Egito Antigo guarda. Na verdade, se pensarmos em glamour arcaico, ninguém ganha dos egípcios :)

5) O seu livro mistura história e fantasia, uma combinação que está prendendo a atenção de todos que leem o livro e que conquista muitos leitores. Acredita que este gênero de leitura veio para ficar ou é algo passageiro? Qual você acredita, seja o motivo principal desse gênero de leitura fazer tanto sucesso nos dias de hoje?

Sim. Eu particularmente adoro Dan Brown por causa disso. As mudanças sutis no real para estabelecer uma ligação com o imaginário. Acho que esse estilo de leitura é algo muito interessante pois você passa a fazer parte da história. Como exemplo e sem spoilers, se você for ao parque Trianon e sentar no banco de madeira exatamente na frente da estátua do Fauno, vai pensar: poxa, Ahmnat sentou aqui. Se verificar a causa da morte de George Gordon na internet será exatamente aquela, ou mesmo verificar o que ela fala sobre um certo pistoleiro ao final do século XIX. Fizeram até filmes sobre ele. Então eu espero que este seja um gênero que apareça cada vez mais. O ruído entre realidade e ficção é bem menor.

6) Os blogs literários, perfis no twitter estão auxiliando muito na divulgação de muitos livros. Quais seriam os erros e acertos cometidos nesse tipo de divulgação? O que poderia ser melhorada nessa forma de divulgação?

Li algumas resenhas que praticamente contam o livro inteiro ao invés de comentarem sobre ele, comentar sobre a escrita em si, sobre a índole dos personagens. Isso é algo que não aconteceria em um veículo profissional de divulgação, como cadernos culturais ou mesmo revistas. Também, a análise em um blog ou twitter é extremamente pessoal e peca no sentido de análise da obra por várias vezes seguidas. Claro, não estou generalizando. algumas resenhas foram excelentes e inclusive me apontaram erros que cometi que nem tinha percebido antes, com uma análise imparcial, sincera e era exatamente o que eu queria saber de feedback para ecrever a continuação.

Ao mesmo tempo, é exatamente por causa de Blogs, Twitter e todo o boca-a-boca da internet que o nome do livro está espalhando e assim eu espero que muito mais pessoas possam se interessar, ler e odiar ou adorar. Estes são essenciais na indicação por opinião, pessoal ou não. Para mim, o que realmente importa é ter a oportunidade de contar uma história para a maior quantidade de pessoas possível.

7) Para você quais foram os destaques no mundo literário em 2011?

Infelizmente não pude ler muita coisa neste ano, nem acompanhar lançamentos e etc por total falta de tempo. Além de trabalhar, escrever a continuação do Ahmnat e colocar alguns textos em blogs, apresentar alguns eventos de esportes eletrônicos e manter um canal no YouTube, eu ainda tento ter uma vida social hehe. Este ano li a trilogia Milennium do Stieg Larson que foi muito boa e adorei a biografia do Ozzy. Na verdade, eu diria que abriu um marco este estilo de biografia descontraída, cheia de narrações absurdas e muito animada pois seguiu-se com Keith Richards e Steven Tyler, por exemplo.

8) Para quem planeja escrever seu primeiro livro em 2012, quais dicas você dá? Quais principais tópicos a prestar atenção no desenvolvimento do primeiro livro?

Isso eu só fiquei sabendo depois que lancei o primeiro então, não posso falar com propriedade hehe, mas eu diria que o principal é você nunca escrever por obrigação pois o que é obrigação é chato, nunca imaginar que você tem a história toda de cabeça pois conforme você escreve idéias melhores irão surgir, jamais reler o que se escreveu uma semana após escrever pois você irá certamente querer mudar um monte de coisas e sempre ter em mente que por mais que algo para você seja interessante pode não ser para muita gente (cenas de batalha detalhadas ao exagero, por exemplo).

9) O livro Ahmnat terá continuação? Tem projeto de escrever outros livros? Alguma previsão (somos muito curiosos, hehe)?

Sim, originalmente eu planejava escrever um livro só. Porém ao final dele tive diversas idéias que gostaria de explorar, sendo assim planejei escrever um segundo. No entanto, ao criar um script da segunda história, percebi que poderia terminar ela do jeito que bem entendesse se eu fizesse mais 1 livro depois para amarrar todas as pontas soltas e fechar a história. Sendo assim, Ahmnat será uma trilogia, começando com Os Amores da Morte, seguido por A Mãe de Todos os Pecados e terminando com… quem sabe?

Quanto a outros projetos, sim, quando terminar o terceiro volume de Ahmnat, vou escrever um livro mais voltado para a comédia, BEM mais centrado na realidade, com situações inusitadas e absurdas, algumas pelas quais eu passei, outras que juntei de histórias de amigos e etc… Será algo, claro, exagerado, mas com base em coisas reais. Então, novamente, será interessante tentar descobrir o que foi real e o que não foi. Além disso, tenho pelo menos uns 12 arquivos de Word com frases sem sentido de sonhos doidos que eu tive que dariam histórias muito bacanas. Veremos :)

10) Agradecemos a sua atenção e deixamos este espaço para sua mensagem final aos leitores do Bookaholic.

Eu que agradeço a oportunidade e gostaria de deixar aqui dois endereços. O primeiro, é um blog que eu usava para treinar quando não queria escrever o Ahmnat mas gostaria de colocar coisas para fora: http://urbanum.blogspot.com – histórias curtas, principalmente sobre relacionamento e viagens da minha cabecinha. O outro dispensa apresentações, mas é somente para aqueles que terminaram Ahmnat – Os Amores da Morte: http://alicefemi.blogspot.com




Sobre o autor do post:

Olá, meu nome é Fernanda, moro no RS, tenho 30 anos e sou bacharel em Sistemas de Informação. Além da tecnologia outras paixões fazem parte de minha vida: filmes, livros, músicas, fotografia. Sempre amei ler e procuro sempre estar lendo algum livro. Escrever é uma de minhas manias, além de escutar música e fotografar (de forma amadora) objetos e paisagens quando sobra tempo livre. Aqui no Bookaholic sou responsável pela seção “Bate Papo Com…”, conto com vocês para prestigiar a coluna!
E-mail: rl.nanda@yahoo.com.br



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13 Comentários em “Bate Papo Com Julien De Lucca”


#1 Yara Prado 19-01-2012 - 11:36 -
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Como eu tinha falado na resenha, agora eu PRECISO deste livro…
E, o Julien parece ser bem legal… Simpático…rsrs
Ah, concordo com ele que escrever não deve ser por obrigação…
No ano passado, teve uma palestra na minha escola falando sobre os livros, e-books e essas coisas… E tinham alguns autores da região…
E eu quase esganei um porque ele falou assim: Gente, vocês pensam que escrever é fácil e legal, mentira. Não é legal e muito menos fácil, é um trabalho tão chato que quase nem vale à pena… Não é um prazer, igual vocês imaginam, é uma obrigação.
Eu quase esganei ele. Onde já se viu um autor falar uma coisa dessas?! Nossa, fiquei com tanta raiva dele que fui pro banheiro e só voltei quando outro autor estava falando… Este outro autor era mais decente…rsrsrs
Bjs.

[Responder]

Lidiane Andrade responde:

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haha. Esse não gostava do que fazia, realmente dá raiva escutar uma coisa dessas. Fazer um livro não é por obrigação mesmo. :16

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Yara Prado responde:

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Concordo Lidi…
Nossa, fiquei com muita raiva dele…
Tanto que nem assisti o resto da palestra dele…
Aff…
Bjs.

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Fernanda Rocha responde:

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Nossa um autor falar algo desse tipo…ele está querendo promover a leitura ou espantar os leitores?

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Yara Prado responde:

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Provavelmente ele estava querendo espantar os leitores…rsrsrs
Eu fiquei muito brava…
Não escrevi nenhum livro, mas com certeza acredito que escrever não é por obrigação… É por gosto.
E se não gosta, simples, não escreve!!!
Bjs.

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Já comentou 802 vezes e é um verdadeiro Bookaholic!

#2 Fernanda Moreira 20-01-2012 - 14:20 -
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Ahhh… que demais!! Eu fiquei muito curiosa com esse livro!!!
Parece ser legal demais! E ele ainda ficou preocupado de não fazer sucesso por não ser “fofo”, mas nem todos os leitores gostam de um gênero só, que é Fofo!

Que bom que a Editora publicou o livro dele! Adorei a entrevista!

Bjoss

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Fernanda Rocha responde:

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Oie minha Xará, fico feliz que tenha gostado da entrevista…este livro vai certo pra minha estante nesse ano. :)

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Você já comentou 39 vezes.

#3 Lidiane Andrade 20-01-2012 - 17:00 -
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Sabe Nanda, suas entrevistas são muuito boas, você faz perguntas realmente boas! hahaha. :19

Eu tenho vontade de ler este livro, a capa dele é linda.

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Fernanda Rocha responde:

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Bah…valeu Lidi…ameiii o elogio. :) A capa deste livro é maravilhosa né? Bjusss

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Já comentou 95 vezes e é um verdadeiro Bookaholic!

#4 Letícia 20-01-2012 - 21:12 -
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nossa se eu já era curiosa pelo livro com essa entrevista fiquei mais ainda, adorei o autor parece bem simpático
e as perguntas tbm foram ótimas =)

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Fernanda Rocha responde:

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Obrigada Leticia. Este livro realmente chama atenção. :)

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Você já comentou 22 vezes.

#5 Tatiana Leite 25-01-2012 - 11:13 -
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Eu adorei a entrevista com o Julien! \o/ Além de eu estar doida de vontade de ler Ahmnat, fiquei ainda mais curiosa pelas continuações e os próximos projetos dele! :23
Concordo plenamente com o que ele falou sobre escrever “forçado”. É tipo a leitura forçada: a coisa parece que não vai para frente. Escrever é uma coisa prazerosíssima, mas quando fazemos isso para agradar alguém ou por qualquer outro motivo que não seja somente a satisfação pessoal, perdemos o foco e bloqueamos a nossa criatividade! Eu me sentia assim quando tinha que escrever textos nas aulas de redação com um determinado número de linhas – 30 linhas NUNCA é o suficiente! :05 Meu Deus, como eu sofria pra diminuir os meus textos!

Beeijo! ;3

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Fernanda Rocha responde:

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Simmm…e continuando o que você falou…quando não estamos forçados a algo a “coisa” flui…as idéias vem mais rápido na mente e podemos ficar horas escrevendo…hehehe.

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Já comentou 936 vezes e é um verdadeiro Bookaholic!