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Bate Papo Com Ricardo Ragazzo
Thursday 06/10/2011 às 08:01 1556 Views Arquivado em: Entrevistas

Oie pessoal !! Faz semanas que não batemos um papo né? Sentiram falta? Eu estava com saudades de trazer entrevistas para vocês. E hoje a sessão está de volta com o autor de 72 Horas Para Morrer, Ricardo Ragazzo (Confiram a resenha que foi postada nessa terça-feira). E agora que tal conferir o bate papo que tivemos com o autor? Abraços!!!

1) Olá Ricardo. A área literária está crescendo muito há alguns anos, livros estrangeiros conquistando várias pessoas, e diversos autores nacionais sendo mais conhecidos pelo público. Como você vê essa evolução do mercado literário? O que ainda pode ser melhorado nessa área no nosso país?

O Brasil é um celeiro de talentos nas mais diversas áreas de trabalho e não é diferente com a literatura. Some-se isso ao fato de que hoje nos tornamos economicamente viáveis e interessantes para outros países também e começamos a entender os novos rumos. Além disso, o povo brasileiro aumentou sua renda e capacidade de consumo. Somos um país de dimensões continentais e com muito potencial. Isso tudo ajuda na fomentação de todas as atividades econômicas por aqui, incluindo a literatura. Com o público brasileiro comprando mais, há mais chances de “arriscarem-se” a comprar um autor nacional – normalmente ainda desconhecido. As próprias editoras vêm tentando criar plataformas para apoio ao autor iniciante como é o Selo Novos Talentos da Editora Novo Século. O mercado está evoluindo de forma globalizada, ou seja, rápida e profissionalmente. Quem ficar parado sonhando e alimentando a nostalgia do passado, vai ficar para trás. Esse é o nosso mote da República dos Escritores: “Se o mercado fica mais profissional, o autor brasileiro também vai ter que ficar”.

2) Todos os anos diversas pessoas que vão prestar vestibular, precisam ler alguns livros que são obrigatórios. Muitos acreditam que o candidato, nesta obrigação de muitas vezes ler um gênero que não lhe agrada, pode perder a vontade de ler outros livros e assim, deixar de ser um  admirador da literatura, alguém que compraria  muitos livros para ler. O que você pensa sobre isso?

Náo tem muito o que pensar no meu caso, pois eu sofri exatamente isso. Perdi o prazer da literatura durante o ensino médio e tive que laçá-lo na marra durante a faculdade. Minha geração tem diversos exemplos de “leitores perdidos”. Existe um grande diferença que explica, por exemplo, porque ainda hoje o mercado britânico – apesar de muito inferior numericamente a outros países – ainda é muito forte no mundo:

Enquanto aqui nós somos obrigados a ler Machado de Assis (que apesar de ser excepcional, não pode ser jogado na frente de um adolescente de 14 anos) para fazer provas chatas e enfadonhas, as crianças da Inglaterra analisam todos os aspectos que tornaram o Harry Potter esse fenômeno mundial. Como foram criados os personagens, o mundo, a trama. Enfim, tudo. Além de ser muito mais prazeroso, já desenvolve na própria criança um senso crítico muito aguçado, capaz de opinar com consistência sobre obras futuras.

Costumo dizer que o Brasil está sempre um passo atrás dos outros. Mas isso anda mudando. Leva tempo, mas quando mudar efetivamente nosso país será uma das grandes potências culturais do mundo.

3) Você é autor do livro “72 Horas Para Morrer”. Confesso que quando conheci sobre a história de seu livro, a imagem que me veio em mente foi de filme com muita ação, com muitas cenas que prendem a atenção das pessoas. Você decidir escrever esse tipo de história, tem a ver com algum filme e/ou livro que tenha lhe chamado atenção ou foi uma idéia que simplesmente surgiu na mente sem nenhuma interferência específica?

A história veio para mim durante uma das minhas “viagens” diárias para o trabalho. Tive até que parar na Castelo Branco (rodovia próxima a SP) para anotar a ideia no acostamento. Mas o processo começou um pouco antes disso. Faço um trabalho de coaching com um dos maiores consultores literários internacionais do mundo hoje chamado James McSill, e a primeira coisa que discutimos era o que eu queria atingir com esse livro. As ideias foram muitas, mas frisei que queria um livro que não desse para parar de ler, que fosse polêmico e que tivesse cara de filme de ação. Fico muito honrado com as lembranças e analogias com o 24 Horas, pois AMO a série. Como a Priscila disse na resenha dela, o Julio tem um quê de Jack Bauer sim, mas a história não tem nada a ver – tirando a divisão por horas, claro! Sou daqueles que acredita que somos influenciado por tudo e por todos. Temos que saber canalizar isso e saber como transformar o que já existe em algo inovador e melhor.

4) Seu livro “72 Horas Para Morrer” fala de assassinatos, investigações, suspense. Muitas pessoas são atraídas por este tipo de história, mas claro, desde que não virem realidade. Isso não seria uma contradição de idéias?

O ser humano é contraditório, e por isso é tão complexo. Quase ninguém quer se acidentar, mas quem resiste olhar quando um acidente daqueles bem feios acontece na rua. Somos atraídos por aquilo que não entendemos. Ficamos fascinados pelo desconhecido. Um bom autor sabe trabalhar essas emoções no livro de forma a manter o leitor sempre preso à trama. Leitor quer “sentir”, dê essas emoções a ele e ele lhe dará o que tem de mais precioso: seu tempo!

5) Quais livros e/ou filmes que você leu/assistiu , que sejam do mesmo gênero do seu livro, que você recomendaria?

Vou por autor e livro, ok?
Stephen King: Carrie, a estranha; O Iluminado; Série A Torre Negra; Qualquer livro de contos dele.
James Patterson (ele tem mais de 60 livros, mas apenas alguns traduzidos): Recomendo a série 1 a Morrer; 2a Chance; 3 Grau; 4 de Julho.
Jeffery Deaver: O Colecionador de Ossos
Harlan Coben: Não Conte a Ninguém.
Conn Iggulden: Série “O Imperador”.
D. Carrisi: O Aliciador

6) Sobre quais outros gêneros que você gosta de escrever? Há algum gênero literário que você não imagina escrevendo?

Quem leu meu primeiro livro, acho que pode presumir que dificilmente escreveria um chicklit, apesar de ser um mercado fabuloso. Não por preconceito, mas por saber que não teria condições de produzir algo de qualidade. O público feminino é bastante exigente. Um coisa que me surpreendeu é que 61% dos leitores do meu livro são mulheres. Fiquei surpreso! As mulheres de hoje em dia são mais dinâmicas e informadas, querem ler sobre tudo. Nós homens estamos ficando para trás cada vez mais. rssss. Mas acredito que minha praia mesmo gire entre thrillers de suspense, ação e realismo fantástico.

7) Em meio a tantos novos talentos, cite um (a) autor (a) que você acredita ser uma das revelações do mundo literário nesse ano de 2011.

Cito 6: Leandro Schulai (O Vale dos Anjos); Fernando Heinrich; Thiago Ururahy; Felipe Colbert (Ponto Cego) e Chico Anes (O Veneno de Eva). Esses são os fundadores do grupo República dos Escritores e TODOS, sem exceção, viverão de literatura nos próximos anos. São pessoas que tem um conhecimento técnico de estruturação de trama fabuloso, são preparados e totalmente voltados ao lado profissional da literatura. Nos baseamos bastante nos 10 Mandamentos Republicanos (www.republicadosescritores.com.br) para ajudar na produção de obras comercialmente viáveis para o mercado. Por exemplo, agora dia 15 de outubro em Portugal o meu thriller 72 horas para morrer será lançado em conjunto com as obras “Ponto Cego” do Felipe Colbert e “O Veneno de Eva” do Chico Anes. São as portas internacionais se abrindo para os autores nacionais. O mercado, como já foi falado na primeira resposta, está globalizado. Autores de fora chegam aqui? Então nós vamos para lá também. Acabei também a tradução para o inglês do 72 Horas para Morrer que será analisado por um agente literário nos EUA. Agora é torcer, pois esse mercado é o meu grande sonho de consumo, ao lado do brasileiro.

8) Há atualmente vários novos talentos na área literária (nem sempre conhecidos) que gostariam de publicar seus livros pela primeira vez. Qual(is) dica(s) você daria para essa turma?

Como eu já disse, talento no Brasil é o que não falta. A única coisa que o autor brasileiro precisa entender é que as obras que vem de fora chegam prontas  e testadas para as editoras brasileiras. Nossas obras, não. Então, como estamos falando em negócio, por que apostar em um autor nacional se o livro internacional já chega pronto? A única opção é profissionalizar a criação de histórias. Usar as mesmas técnicas de estruturação usadas lá fora, investir tempo e dinheiro no seu texto, fazendo quantas revisões forem necessárias. Submeter sua obra às críticas e aceitá-las. Muitos autores são preguiçosos, terminam seus textos e não querem mais tocá-los. Isso não pode acontecer. Quer viver disso? Então saia por aí e entenda como funciona o mercado. Crie plataformas. Enfim, a República dos Escritores foi criada para isso. Ajudar todo mundo que está começando assim como nós.

9) O que podemos esperar de seus projetos futuros? Algum outro livro chegando brevemente?

Já estou trabalhando no meu segundo livro, esse com uma temática mais fantástica, mais ainda assim envolvendo assassinatos em série. O melhor dos mundos seria conseguir produzir um livro por ano, mas como ainda não vivo disso, tenho que cumprir outras obrigações. Uma coisa eu posso prometer: O segundo livro será melhor do que o primeiro! Essa é a minha meta! Sempre crescer…

10) Agradecemos a entrevista e deixamos este espaço disponível para seu recado aos leitores do Bookaholic.

Eu que agradeço pelo espaço e apoio. Peço a todos aqueles que gostem dessa temática que leiam o livro e depois me procurem com seus feedbacks. Meu e-mail é tioragas@yahoo.com.br. Meu facebook é Ricardo Ragazzo, assim como meu twitter @ricardoragazzo. Também tem a página do 72 horas para morrer no FB. espero poder contar com o apoio de todos, e saibam que essa obra foi escrita para vocês com todo o carinho e empenho possíveis. Abrazzo Ragazzo




Sobre o autor do post:

Olá, meu nome é Fernanda, moro no RS, tenho 30 anos e sou bacharel em Sistemas de Informação. Além da tecnologia outras paixões fazem parte de minha vida: filmes, livros, músicas, fotografia. Sempre amei ler e procuro sempre estar lendo algum livro. Escrever é uma de minhas manias, além de escutar música e fotografar (de forma amadora) objetos e paisagens quando sobra tempo livre. Aqui no Bookaholic sou responsável pela seção “Bate Papo Com…”, conto com vocês para prestigiar a coluna!
E-mail: rl.nanda@yahoo.com.br



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7 Comentários em “Bate Papo Com Ricardo Ragazzo”


#1 Óticas 06-10-2011 - 10:00 -
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Ótimo!! Adorei .=)

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Fernanda Rocha responde:

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Obrigada!!!

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Já comentou 104 vezes e é um verdadeiro Bookaholic!

#2 Yara Prado 06-10-2011 - 20:31 -
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Nossa, faz tempo mesmo que não tem essa coluna… Estava sentindo falta…rsrsrs
Ah, adorei quando o Ricardo disse que não escreveria um chicklit…rsrsrs\o/\o/\o/ :18 :18 :18
Eu ainda não li o livro dele, mas, pela resenha, tambem não consigo magina-lo escrevendo um chicklit…rsrsrs
Bjs.

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Fernanda Rocha responde:

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Essa coluna estava sumidinha né? Mas está de volta, espero trazer váriass entrevistas legais nas próximas semanas!! Bjuss

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Yara Prado responde:

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Ah, que legal!!!!
Vou adorar…
Adoro saber mais sobre os autores…rsrsrs
Bjs.

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Já comentou 802 vezes e é um verdadeiro Bookaholic!

#3 Ana Magiero 09-10-2011 - 22:06 -
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Nossa acho tão legaal leer entrevistas com os autores nacionais… e essa.. putzs me deixou arrepiada.. seriio.. as perguntas e as respostas foram sabias.. e isso que feez a entrevista ficaar muito interessante..
Adoreeeei =)

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Você já comentou 10 vezes.

#4 Tatiana Leite 13-10-2011 - 11:21 -
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Eu adorei a entrevista com o Ricardo! Concordo com muitas coisas que ele falou!
A renda do brasileiro está mesmo aumentando e parte dessas pessoas tem investido mais nos livros. Isso é ótimo não só para a culturalização da população, mas justifica totalmente o investimento das editoras em divulgação e publicação de mais autores estrangeiros e brasileiros. Pode ser que esse boom pareça pequeno agora, mas é o começo pra uma revolução da visão das pessoas em questões básicas, já que a leitura proporciona críticas mais apuradas.

Quem me dera morar na Inglaterra e ficar analisando Harry Potter! :23 Eu nunca fui super fã dos livros que tínhamos que ler na escola, mas sempre gostei de lê-los. E o melhor é que essa chance que damos ao que não conhecemos é que podemos nos surpreender, como aconteceu com vários desses livros de escola que li e gostei MUITO.
Mas realmente, se a pessoa já não foi incentivada a descobrir aquilo que gosta de ler e chega na época do vestibular com toda aquela pressão pra passar e ainda com a obrigação de ler muitos livros com o português mais elaborado e até mais arcaico, é claro que ela vai querer se ver longe desse tipo de entretenimento (que será visto como tortura, na verdade).
Já passou da hora de uma inovação na educação, principalmente no quesito literatura! :29

Amei a idéia da República dos Escritores! Estou visitando o site e não consigo sair de lá! :31

Desejo todo o sucesso ao Ricardo e a esses escritores brasileiros, que com certeza têm muito talento e merecem conquistar o mercado internacional! Vou ficar na torcida!
Beeijo! ;3
Beeijo! ;3

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