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Bate Papo Com Sérgio Pereira Couto
Thursday 12/05/2011 às 08:00 3002 Views Arquivado em: Entrevistas

Olá leitores e leitoras do Bookaholic!  Nossa coluna hoje entrevista o autor de Jogos Criminais, resenhado aqui no blog: Sérgio Pereira Couto.  Confiram a entrevista pois ela está muito interessante. Eu pelo menos, adorei. :28

01)  Existem ótimos livros de autores brasileiros, porém autores internacionais fazem mais sucesso aqui no Brasil. Qual sua opinião sobre o assunto?

De fato os autores internacionais fazem mais sucesso por uma questão apenas de doutrinação do povo brasileiro: por muitos anos todos se acostumaram com um tipo de história, popularizada por seriados e filmes de tv, que somente agora surgem nomes no mercado editorial com competência o suficiente para igualar com a concorrência. Aos poucos o público nacional nos descobre. Alguns, infelizmente, com muito mais velocidade do que outros, mas acredito que é apenas uma questão de tempo para que nos descubram também. No momento é oportuno lembrar que alguns, que estão nas listas do mais vendidos de livrarias e revistas semanais de informação, são importantes para abrir caminho. Todo segmento tem seus desbravadores, e o da literatura nacional não é uma exceção.

02)  Muitos livros fazem sucesso graças às adaptações para o cinema. Muitas pessoas que não leram o livro que deu origem ao filme, compram e devoram o livro. Você acredita que isso é algo passageiro ou esta é uma tendência que vai permanecer?

Isso dificilmente vai mudar. Primeiro porque é uma questão de cultura, segundo por ser uma questão de comodismo. As pessoas estão acostumadas demais às adaptações holywoodianas ou às produções de estações de tv. Na verdade, o caso de que vêem o filme e compram o livro só funciona nas produções internacionais. Nas nacionais isso ainda é inexistente. Basta lembrar que o Elite da Tropa só virou o sucesso Tropa de Elite e então foi descoberto pelo público, que foi atrás dele nas livrarias. Ou seja, o cinema é uma boa arma para se chamar a  atenção de uma determinada obras, mas ainda é um recurso que pouquíssimos autores nacionais podem dispor. André Vianco, para citar um, nem everedou direito nesse meio e, pelo que sei, se dá muito bem sem ele. Tenho boas expectativas com a adaptação de “O Turno da Noite”, mas é algo que só complementará o sucesso do livro, não que provocará uma corrida até ele.

03)  O ser humano tem um fascínio por histórias que envolvam mistérios, mas esse tema ganhou força apenas recentemente. Isso aconteceu por que a TV colaborou através de seriados, filmes sobre este assunto ou o interesse por este tipo de leitura é algo histórico, cultural?

Premita-me discordar. O fascínio sempre existiu desde muito antes do estouro de filmes e seriados. Basta lembrar que Sherlock Holmes e Hercule Poirot, dois detetives clássicos, sempre fizeram sucesso muito antes de enveredarem pelo cinema e pelas adaptações para a tv. O interesse, sim, acredito ser histórico, pois já vem de muito tempo. E o mistério, em todas as suas encarnações, sempre foi algo fasicnante. Está  na vertente do ser humano enfrentar um desafio para a mente. É tudo atraente demais para se ignorar…

04)  Como e quando surgiu seu interesse por sociedades secretas?

Desde pequeno eu já me interessava pelo assunto. Mas sempre me incomodou o fato de que não haviam livros que serviam como introdução ao assunto. Foi assim que eu desenvolvi o projeto inicial de um livro com entrevistas com representantes das sociedades secretas que, depois, a pedido do editor, foi romanceado. Isso algum tempo antes do estouro de O Código da Vinci. Assim, restou apenas adaptar o material de maneira a deixá-lo atraente para o público, e soltar. O livro vende bem até hoje e já vai para a quarta edição. E, até onde eu saiba, há quem adore e quem deteste o livro, coisa normal em qualquer produto literário.

05)  Assuntos criminais, normalmente são pesados, fortes; mesmo assim cativam muitas pessoas. Livros e seriados sobre esse tema fazem sucesso, como por exemplo, seu livro Investigação Criminal. Com base em suas pesquisas, acredita que esse gênero pode provocar o aumento do número de profissionais competentes dessa área? Ou o interesse nessa área ficará apenas na ficção?

Desde o surgimento da série CSI, em 2000, o interesse pelo assunto cresceu exponencialmente. Isso é bom porque mais pessoas passaram a valorizar o trabalho dos peritos criminais, que sempre foi, de certa forma, menosprezado por aqui. A ficção ajuda também a definir esse assunto como interessante e não descartável para um público que não acredita que o romance policial possa se renovar. CSI lá fora é um marco, assim como acredito que o novo livro de André Vianco, O Caso Laura, que é um “romance policial fantástico”, fará para os leitores de literatura fantástica aqui, provando que o policial tem tanta ou mais força que os tradicionais terror, fantasia e ficção científica.

06)  Os Herois de Esparta, é um livro que foge da linha da investigação e sociedades secretas. O que o levou a escrever esta ficção?

Grande parte da minha obra é dedicada a livros de não-ficção sobre aspectos curiosos da História mundial. E neste caso quis fazer uam tentativa com a literatura juvenil, apresentando fatos sobre a Guerra das Termópilas, que foram na verdade vários episódios independentes, dos quais o que envolveu os espartanos foi apenas o mais famoso. Assim, juntei numa historinha os dados dos historiadores Plutarco e Heródoto com os colhidos por Frank Miller para fazer 300 e compus minha própria história, apresentando também as outras versões dessa Guerra.

07)  Sobre o livro Help – A Lenda de um Beatlemaníaco, quais foram as reações dos fãs da banda ao lerem o livro?

As mais variadas possíveis. Os fãs gostam de ver a cultura do Beatles disseminada de formas diferentes. Houve quem adorou o livro, mas também quem detestou. Houve pessoas que jogavam o “jogo das referências”, como no vídeo da música Free as a Bird, para ver quem achava mais dados. Houve quem detestasse a quantidade delas e achasse que isso não incentivava de maneira nenhuma a leitura do livro. Mas de uma forma ou de outra todos curtiram bastante a composição da história.

08)  Qual tipo de livro é mais difícil escrever? Romances, policiais, aventura, … ?

Sem dúvida nenhuma eu diria que é o policial. Isso porque é necessário colocar as doses exatas de trama, personagens, suspense, mistério e ação. E trata-se de uma alquimia difícil porque, ao menor erro, tudo pode “implodir” na sua cara e gerar um livro que mais parece um elefante branco do que algo que valha a pena ser lido.

09)  Quais são seus projetos em andamento? Pode nos contas um pouquinho sobre eles?

Há um romance policial sobre um grupo de pessoas que se comunicam por Internet e ajudam na busca de desaparecidos, outro sobre o suposto fantasma de um famoso ídolo do rock morto há exatos 40 anos, um terceiro sobre um mistério encontrado abaixo do Obelisco do Parque Ibirapuera e um quarto sobre caçadores de fantasmas. Mais, não posso adiantar, só comprando o livro… risos.

10)  Pedimos que deixe uma mensagem aos leitores do Bookaholic.

Pessoal, leiam o quanto vocês quiserem, não é necessário deixar de lado dos autores internacionais. Mesmo porque eles são influências fortes. Mas sempre que puderem ajudem a divulgar o autor nacional. Compareçam aos eventos, entrem em contato via email ou redes sociais, falem com eles pessoalmente ou mesmo postem artigos falando deles. Precisamos convencer as pessoas de que a nova safra de autores nacionais é boa e que vale a pena ser apreciada. Afinal, nós aprendemos muitos com os estrangeiros, mas está mais do que na hora de mostrarmos a que viemos. Não deixem de ler o autor nacional!




Sobre o autor do post:

Olá, meu nome é Fernanda, moro no RS, tenho 30 anos e sou bacharel em Sistemas de Informação. Além da tecnologia outras paixões fazem parte de minha vida: filmes, livros, músicas, fotografia. Sempre amei ler e procuro sempre estar lendo algum livro. Escrever é uma de minhas manias, além de escutar música e fotografar (de forma amadora) objetos e paisagens quando sobra tempo livre. Aqui no Bookaholic sou responsável pela seção “Bate Papo Com…”, conto com vocês para prestigiar a coluna!
E-mail: rl.nanda@yahoo.com.br



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7 Comentários em “Bate Papo Com Sérgio Pereira Couto”


#1 Amanda 12-05-2011 - 22:35 -
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Logo quando eu vi o começo da entrevista achei que não iria gostar, mas ao longo da mesma eu amei! Eu não conhecia o trabalho dele, e me chamou atenção os livros dele que é sobre assuntos criminais, o que é fantástico e que é pouco publicado aqui no Brasil (pelo que eu sei). E eu concordo plenamente com o que ele falou que era mais difícil escrever livros do tipo policial, porque se você não sabe dosar o mistério os leitores não gostam e se tiver muios crimes com muitas descobertas de uma vez só torna-se repetitivo! Bem, eu gostei da entrevista!

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#2 Óticas 14-05-2011 - 09:58 -
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Nossa que entrevista show. =D

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Já comentou 104 vezes e é um verdadeiro Bookaholic!

#3 Alinne Lopes 14-05-2011 - 16:38 -
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Gostei muito da entrevista. Também curto séries policiais como CSI, Criminal Minds, Chase…
Como o autor mesmo disse o Brasil tem muitos autores bons que merecem ser reconhecidos como também sua obra.Por isso sempre estou lendo livros nacionais tanto quanto os internacionais e divulgando.
Bjus.

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#4 Kamila Michel Raupp 15-05-2011 - 20:07 -
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Adorei a entrevista, não conhecia o autor nem o seu trabalho e agora mesmo vou pesquisar sobre ele! xD
Como um outra menina disse nos comentário, comecei a ler e achei que ia ser chata a entrevista, mas depois adorei! Muito boa!

Beijos, Kamila.

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#5 Paty Algayer 20-05-2011 - 15:29 -
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Muito boa a entrevista! Adorei! Bjsss…

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#6 rudynalva soares 22-05-2011 - 20:30 -
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Gosto muito das entrevistas porque podemos aprender tanto.
Uma pena que não consigo ver as fotos, não sei o que deu aqui no meu pc…kkkk é porque o bichinho é novinho!kkkkk

Tem gente que está ficando é especialista em fazer entrevista!!kkk
Parabéns querida!

cheirinhos
Rudy

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#7 Sanzinha 06-06-2011 - 10:03 -
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O livro que eu li do Sérgio foi “Renascimento – A Lenda do Judeu Errante” e adorei! Achei muito bem escrito. Quero muito ler Jogos Criminais e os outros livros dele! :)

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