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IPSIS LITTERIS – Saia do seu próprio texto!
Wednesday 04/07/2012 às 07:00 2234 Views Arquivado em: Literatura e Blá Blá Blá

Oi, gente, estou de volta à coluna “Literatura e Blá Blá Blá”, agora mensalmente, e me cabe a honra de ter a primeira quarta-feira do mês!

Já falamos sobre diversos assuntos aqui na coluna, desde registro de obras, passando por discussões sobre ler livros em outras línguas e até escrever livros em outras línguas. Hoje, vou falar de um outro assunto ligado à produção do livro: a criação dos personagens. Quanto de nós há em nossos personagens? Quanto das pessoas que estão à nossa volta está nos nossos personagens?

Bom, tem muita gente que se oferece pra ser tema do próximo best-seller, e com certeza, muitas histórias seriam dignas de um. Mas quando chega a hora de escrever mesmo, fica a pergunta: até quanto posso colocar de mim aqui?

Não adianta, boa parte dos leitores não vai separar os seus personagens de você. Outra parte, vai te ver no personagem errado – sim, porque só você sabe qual deles é você, autor, ali dentro – e tem uma minoria que não se prende a essas amenidades. O fato é que toda vez que você vai escrever uma cena, aquilo fica martelando em você. Será que eu posso? As pessoas vão pensar o quê de mim? Isso, claro, nas cenas mais polêmicas – bom assunto pro mês que vem, hein – mas mesmo as cenas mais corriqueiras, dão um trabalho considerável. É que muita coisa que acontece com a gente, é tão interessante do jeito que acontece que se mudar alguma coisa, estraga. E não é só isso, muitas vezes as cenas – ou mesmo enredos e personagens inteiros – são inspirados em acontecimentos e gente que existe. E aí? Na hora de ser protagonista de biografia ditada todo mundo quer, mas quando é o autor que escolhe o que falar de quem, bom, aí a coisa muda de figura. E claro que isso cria outro problema: como separar a ficção da realidade? Como ficar livre pra criar sem depender do que acontece à nossa volta? Isso leva tempo e experiência, e hoje em dia me sinto mais vacinado contra essa “síndrome do querido diário”. Mas minha fascinante vida está sempre à espreita, querendo entrar no próximo livro…

Eu, particularmente, por escrever histórias realistas, sem fantasia ou algo sobrenatural (“romances contemporâneos urbanos”, classificaram uma vez meus livros) estou ainda mais exposto ao risco, mas não me exponho sozinho. Quando você for ler um livro meu, ao invés de procurar por mim nele, comece a procurar por você também…

Um beijo enorme e até mês que vem! Tem lançamento de “Três Céus” na Bienal de SP, dia 18 de agosto, às 16h, no estande da Gutenberg, e pra facilitar a vida dos que estavam com saudade de ver o Novas Letras reunido, minha amiga e colega de editora Leila Rego vai estar comigo lançando seu próximo livro, “Amigas (im)Perfeitas“. A gente se encontra por aqui antes disso, mas espero vocês lá!




Sobre o autor do post:

Enderson Rafael nasceu em Florianópolis, em 1980. Escreveu seu primeiro romance, aos 19 anos. Formou-se bacharel em Comunicação (Publicidade e Propaganda) pela ESPM-Rio, escola que em 2006 apoiou a publicação de seu segundo livro "Propaganda e Marketing para vestibulandos, calouros, curiosos e simpatizantes". Neste meio tempo, escreveu dois roteiros de longa metragem para cinema, "Geribá" e "Mil Mares". Em 2010, lançou seu primeiro romance, "Todas as estrelas do céu" e agora trabalha como comissário de voo, profissão na qual já soma 5 mil horas de voo e que inspirou seu segundo romance, a ser lançado em 2012, "Três Céus" pela editora Gutenberg.
E-mail: endeblog@gmail.com



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