literatura-e-bla-bla-bla category image
E meu livro de cabeceira levou o Jabuti!
Wednesday 05/12/2012 às 09:11 1053 Views Arquivado em: Literatura e Blá Blá Blá

“A saga brasileira”, de Miriam Leitão, leva um dos mais renomados prêmios literários do país.

Ok, faz tempo que minha lista de livros está parada. Minha média de livros lidos deste ano vai despencar, afinal, esse ano estou fazendo meu curso de piloto, o que me exige ler MUITOS livros, mas sobre outros assuntos que não literatura. Estou no final do IFR (regra de voo por instrumentos), grosso modo, quase com 2/3 do curso completos. E no livro que comecei a ler no começo do ano, estou ainda na página 350 das 476 que ele tem. Final de 1996, nas longas décadas que a História – nos dois sentidos, mas o “h” maiúsculo prevalece – cobre.

Mas já havia falado desse livro antes e volto a falar, agora orgulhoso do feito da excelente jornalista Miriam Leitão. Quem me conhece sabe três coisas: só ligo a TV pra ver jornal ou canal de notícias – a Miriam me é muito familiar; adoro livros de não-ficção – meu predileto, “Bilhões e Bilhões“, de Carl Sagan, é desse gênero; e sou grande entusiasta da estabilização da economia brasileira conseguida através do Plano Real – o que faz de mim a vítima perfeita desse livro. E num país com memória curta, o livro “A saga brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda” é muito necessário.

Muitos dos meus leitores são novos o suficiente pra não reconhecer uma inflação maior que 6% ao ano, mas eu, que tinha 14 anos à epoca do Plano Real, que recebia mesada em dólar pra que a inflação não a comesse na exótica micro-economia do bilingue verão florianopolitano, lembro bem de como era fazer questões de matemática no colégio envolvendo números tão bizarros quanto “se a inflação esse mês foi de 48%”… E vocês que não viveram isso, não queiram viver.

Imagine aquele livro que você quer comprar e hoje custa R$30. Vamos dizer que você deixe pra comprar mês que vem, e na hora que você chega na loja, ele está custando R$50 – e tudo o mais seguia a mesma regra, então as pessoas recebiam o salário e gastavam imediatamente, pois no final do mês, ele valia quase metade. Isso foi onde chegamos no começo de 1990. Nos quinze anos anteriores ao Real, a inflação acumulada no Brasil foi de 13.342.346.717.617,70%. Isso mesmo. Treze bilhões por cento, seja lá o que isso queira dizer, não dá nem pra dar uma ideia pra vocês, é algo como um cd de hoje custar o mesmo que o PIB de um país inteiro alguns anos depois.

Nos 15 anos posteriores ao Plano Real (que Lula na época tentou melar e ainda classificou como “eleitoreiro”), a inflação acumulada foi de apenas 196,87%. Usando o exemplo do CD, um de 20 reais em 1994 sairia hoje por uns R$70 (ao invés dos 2,6 trilhões do exemplo anterior). Resumindo, a hiperinflação era tão destrutiva da vida cotidiana que só quem viveu para explicar. Não existia fazer planos de médio ou longo prazo.

E o Brasil tem muita, mas muita coisa pra melhorar, fato. Mas sem que tivéssemos consertado essa – e a questão requer vigilância constante, o governo Dilma tem derrapado no quesito – nenhuma das outras coisas seria possível. Por isso esse livro de Miriam, com ou sem Jabuti, é tão importante. Ele explica a genialidade dos que conceberam o plano de maneira didática e inteligente. E como a participação do povo, geralmente tão apático, foi fundamental pro sucesso do que vivemos hoje. “A saga brasileira” é um livro que traz esperança, que mostra um Brasil que venceu talvez o maior desafio da sua história: tornar-se um país civilizado, pelo menos monetariamente.




Sobre o autor do post:

Enderson Rafael nasceu em Florianópolis, em 1980. Escreveu seu primeiro romance, aos 19 anos. Formou-se bacharel em Comunicação (Publicidade e Propaganda) pela ESPM-Rio, escola que em 2006 apoiou a publicação de seu segundo livro "Propaganda e Marketing para vestibulandos, calouros, curiosos e simpatizantes". Neste meio tempo, escreveu dois roteiros de longa metragem para cinema, "Geribá" e "Mil Mares". Em 2010, lançou seu primeiro romance, "Todas as estrelas do céu" e agora trabalha como comissário de voo, profissão na qual já soma 5 mil horas de voo e que inspirou seu segundo romance, a ser lançado em 2012, "Três Céus" pela editora Gutenberg.
E-mail: endeblog@gmail.com



Posts Relacionados






:38 :37 :36 :35 :34 :33 :32 :31 :30 :29 :28 :27 :26 :25 :24 :23 :22 :21 :20 :19 :18 :17 :16 :15 :14 :13 :12 :11 :10 :09 :08 :07 :06 :05 :04 :03 :02 :01


Nenhum comentário em “E meu livro de cabeceira levou o Jabuti!”