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Piratas, Registros e Outros Bichos
Wednesday 23/05/2012 às 07:00 2478 Views Arquivado em: Literatura e Blá Blá Blá

Bom, até bem pouco tempo atrás, a chance de você ser pirateado na Literatura era remota. Afinal, em tese sai mais caro xerocar um livro todo do que comprar um novo. Porém, isso nos levava a custos mais altos. Na busca por editoras, você precisava imprimir e encadernar seus originais antes de enviá-los pelo correio. Mesmo livros não muito grandes custavam dezenas de reais cada um apenas pra chegar à pilha já imensa do estagiário do editor. Ou seja, eram centenas de reais jogados fora… – e vamos combinar, a maioria de nós não tem essa quantia pra desperdiçar.

Hoje – e não faz muito tempo – a maioria das editoras já aceita receber os originais em PDF por email, o que já nos salva muito tempo e dinheiro. Mas aí, aparece um outro problema: e se seu original vazar?

Bom, quando escrevemos “Todas as estrelas do céu” na ferramenta de busca do Google, logo logo ele sugere “Todas as estrelas do céu + download”. Isso significa duas coisas, uma boa e uma ruim. A boa: muita gente gosta do meu romance de estreia. A ruim: muita gente está tentando achar meu livro dando mole na web. Felizmente, nenhum dos links que o Google garimpa leva ao PDF do livro, e minha editora fica muito satisfeita com isso. Se um livro seu vazar, principalmente antes do lançamento, a chance de fracasso comercial (ou pelo menos de perdas nas vendas) aumenta muito, e isso pode dificultar e até inviabilizar a publicação. E se com livro impresso isso já era complicado, na era dos ebooks temos que ficar ainda mais atentos, pois o livro já estará quase pronto para ser convertido e distribuído.

Mas e aí você pergunta: devo registrar na Fundação Biblioteca Nacional?!
Não existe uma resposta certa, vai muito do autor. Minhas primeiras obras eu registrei (na época, e acho que ainda é assim, você tinha que enviar o livro impresso pra lá), mas hoje penso diferente. O registro na FBN não vai protegê-lo da pirataria comum, das pessoas compartilharem o livro (e com isso prejudicarem suas vendas), mas teoricamente protegeria você da pirataria autoral, ou seja: de alguém roubar seu livro para tentar vendê-lo a uma editora.

Sejamos coerentes: se uma pessoa conseguisse um original meu, mudasse o título ou o nome do autor, ela teria tanta ou mais dificuldade para convencer uma editora a publicá-lo do que eu tenho, então, por que o medo? E mais, arquivos têm datas, temos beta-readers, backups, e uma série de coisas que são de conhecimento público e que facilmente demonstrariam a real autoria da obra. Tá bom, o cara roubou meu livro (mais ou menos fácil), publicou (muito difícil) e o livro virou um best-seller (quase impossível). E agora?! Agora você tá com a vida ganha: prova que o livro era seu e assina um contrato no dia seguinte! Viu como a vida às vezes é justa com quem é honesto? E mesmo que você perca nos tribunais, um editor reconhece facilmente estilos diferentes, e você não terá dificuldades pra demonstrar a competência de quem escreveu aquele best-seller supostamente roubado.

E agora, a parte mais importante sobre o registro: quando o livro é publicado por uma editora, o autor ganha automaticamente o copyright, e a FBN recebe o livro para catalogar (a editora é obrigada a enviar). Ou seja, registrar o original, na minha opinião é desnecessário, inócuo e redundante. Mas claro, essa é a minha opinião: e a de vocês?!

Semana que vem tem Lycia, e na outra, estou de volta. Beijão pra todos os bookaholics e pra Priscila, claro, nossa anfitriã!

PS: PDFs podem ir parar na internet de propósito! Lá no meu site www.endersonrafael.com.br vocês encontram o PDF completo para baixar do roteiro de “Mil Mares“, escrito em 2001. Divirtam-se!




Sobre o autor do post:

Enderson Rafael nasceu em Florianópolis, em 1980. Escreveu seu primeiro romance, aos 19 anos. Formou-se bacharel em Comunicação (Publicidade e Propaganda) pela ESPM-Rio, escola que em 2006 apoiou a publicação de seu segundo livro "Propaganda e Marketing para vestibulandos, calouros, curiosos e simpatizantes". Neste meio tempo, escreveu dois roteiros de longa metragem para cinema, "Geribá" e "Mil Mares". Em 2010, lançou seu primeiro romance, "Todas as estrelas do céu" e agora trabalha como comissário de voo, profissão na qual já soma 5 mil horas de voo e que inspirou seu segundo romance, a ser lançado em 2012, "Três Céus" pela editora Gutenberg.
E-mail: endeblog@gmail.com



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3 Comentários em “Piratas, Registros e Outros Bichos”


#1 Evellyn 23-05-2012 - 22:13 -
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Na era digital as coisas estão BEM mais faceis!
É possivel encontrar a maioria dos livros pra baixar for free e embora isso seja pratico (e hm.. ilegal) realmente prejudica as editoras, o autor… Mas é aquilo, acho q a pratica ocorre pq o preço :31 das coisas aqui não ajuda, ai já viu: jeitinho brasileiro! Mas nem é so aqui q tem medo disso, la fora alguns livros ficam FREE a venda Kindle, acho q ate pra evitar a ‘pirataria’ Hahah Não sei o que eles ganham ‘vendendo de graça’ mas ja vi varios assim… Free no Amazon.
Gostei do que vc falou sobre o registro. Tenho uma amiga q tem essa grande preocupação de resgistrar por medo de alguem copiar a historia dela e lhe passar a perna, mas tb penso assim… Se a editora não gostou antes, porque ia gostar depois?

Agora eu não sabia dessa ultima parte q vc comenta (que depois de publicado por editora tem q mandar pra FBN novamente) então agora concordo mais ainda… É bem redundante! rs

bjssss

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Enderson Rafael responde:

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Oi, Evellyn! Obrigado por comentar:-) Bom, realmente a mim parece extremamente improvável que alguém roube meu livro e faça sucesso com ele. Se fizer, é um favor que me faz, por todas as razões que mencionei. Já com relação à pirataria, é triste que alguém a pratique sem remorso. Mas tb acho que os preços abusivos praticados em boa parte da indústria acabam por alimentá-la. Sou a favor de ebook barato (menos de 10 reais) e impresso estilo paperback (entre 10 e 20 reais), mas é claro que aqui estamos falando de romances de 200-300 páginas. Essa faixa de preço não se ajusta a qualquer formato (um livro de fotografias, por exemplo). Beijo!

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#2 Filipe Machado 26-05-2012 - 13:50 -
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Hmmm… eu achava necessário ter que registrar na FBN e tal, até ler seu artigo agora. É sempre bom conhecer essas coisas… “Vivendo e aprendendo” rs :31
Legal seu pensamento acerca do possível roubo. O ruim é que as pessoas acabam ficando nervosas e nem se tocam disso né? Anyway, creio que quem pensar sobre isso ou ler seu artigo, caso isso aconteça ficará bem mais tranquilo.
Ótimo post! Até mais :04

[Responder]

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