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Tamanho é Documento?
Wednesday 25/04/2012 às 08:00 1710 Views Arquivado em: Literatura e Blá Blá Blá

Oi, pessoas! É uma honra dividir este espaço da Prisciletes com a Lycia! Vamos conversar muito aqui de agora em diante, e como a Lycia perguntou pra vocês sobre o que movia nossa leitura, eu vou convidá-los para uma outra questão.

O tema de hoje é: Tamanho é documento?

Muitas são as coisas que nos fazem escolher um livro em detrimento de outro. Tem o preço, a sinopse, a capa, a facilidade de encontrar o livro, entre outras coisas. Mas e a quantidade de páginas? Influencia? Quanto?

Conforme os e-books vão ganhando espaço, a questão do tamanho deve tornar-se menos evidente, uma vez que o que define o tamanho físico de um e-book é a espessura do tablet ou leitor eletrônico que você está utilizando. Mas enquanto temos um mercado principalmente voltado para os livros impressos aqui no Brasil, ainda conta muito o contato com a obra na livraria. Neste caso, quão importante é o número de páginas?

Bom, medir o quanto vale uma história é muito complicado, e decidir o preço ao qual será oferecida uma obra ao mercado é sempre um desafio enorme pras editoras – que geralmente escolhem um preço de referência, no qual se baseiam as compras das livrarias, o preço final ao consumidor e até os direitos autorais do autor. Existem equações, programinhas, e muita intuição envolvida. Afinal, o livro tem que ser barato o suficiente pra que as pessoas o comprem, mas caro o bastante para se pagar, pagar as pessoas que trabalharam nele e ainda dar lucro. Então, o leitor pega duas obras que ele igualmente gostaria de levar e que custam a mesma coisa, mas uma tem, digamos, 150 páginas, e a outra, 300. Qual ele levará? Bem provavelmente, assim como faria com um pacote de salgadinhos, a maior. É uma questão de custo-benefício. E embora muita coisa possa influenciar no preço do livro – prestígio do autor, ser lançamento, tipo de papel, cores, prestígio da editora – o único consenso é que os livros são caros no Brasil, e não é por causa de impostos – dos quais a cadeia de produção do livro é relativamente blindada.

E é claro, essa pressão toda em cima da quantidade de páginas de um livro gera uma preocupação de todo mundo. A editora faz o que pode: aumenta o espaço entre as linhas, aumenta a fonte, cuida com carinho das viúvas (pedaços de textos soltos onde não deviam). Já o autor, tem um desafio ainda maior: encher linguiça sem parecer que está enchendo. E essa é uma arte dificílima, tanto é que tem muita gente que escreve só contos. Saramago, inclusive, tinha o dom de transformar tramas típicas de contos em romances inteiros, e isso com certeza o destacou entre os demais escritores da nossa língua.

Quando eu trabalhava com publicidade, tinha metas rígidas de tempo e espaço. Eram 30 segundos na televisão, era meia página numa revista. Quando passei a escrever roteiros de cinema, esforçava-me com sucesso em manter meus filmes entre 1h45 e 2h de duração – embora eles não tenha sido produzidos ainda, acho que consegui. Mas na literatura, os recursos são bem mais dispendiosos, e eu prezo muito pela pertinência de cada linha do texto, afinal tenho grande dificuldade em ler textos que não me prendam, e minha prioridade é manter o leitor interessado até a última palavra. O “Todas as estrelas do céu” ficou com 160 páginas. Já o “Três Céus” me surpreendeu: achei que a parte final da trama se resolveria rápido, mas isso não aconteceu, e ele deverá ter quase trezentas páginas quando for publicado em agosto. Meu livro seguinte, “Alba”, está perto do fim, e beirando as 30 mil palavras neste momento, deverá ficar do mesmo tamanho da trama de Carol e Leandro quando terminar de ser escrito.

Afinal, existe um número mágico de páginas para um livro ser bem sucedido nas vendas? Ou importa bem mais o teor do texto, mesmo que isto signifique ficar mais tempo nas estantes? Em tempos de Kindle, Galaxy Tab e iPads, onde a espessura do seu aparelho descola-se completamente do tamanho do livro, essa questão se tornará também obsoleta?!

Um grande beijo a todos os leitores, e até a próxima!




Sobre o autor do post:

Enderson Rafael nasceu em Florianópolis, em 1980. Escreveu seu primeiro romance, aos 19 anos. Formou-se bacharel em Comunicação (Publicidade e Propaganda) pela ESPM-Rio, escola que em 2006 apoiou a publicação de seu segundo livro "Propaganda e Marketing para vestibulandos, calouros, curiosos e simpatizantes". Neste meio tempo, escreveu dois roteiros de longa metragem para cinema, "Geribá" e "Mil Mares". Em 2010, lançou seu primeiro romance, "Todas as estrelas do céu" e agora trabalha como comissário de voo, profissão na qual já soma 5 mil horas de voo e que inspirou seu segundo romance, a ser lançado em 2012, "Três Céus" pela editora Gutenberg.
E-mail: endeblog@gmail.com



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18 Comentários em “Tamanho é Documento?”


#1 Priscila 25-04-2012 - 09:37 -
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Ende seu lindo! Eu é que agradeço por sua ilustre participação aqui com a gente! Tenho certeza de que será um super sucesso! Mas enfim, esse tema é algo que até já discuti com você há um tempinho atras e por isso gostei de ver que você trouxe a tona pra galera comentar também. Eu não me importo com livros pequenos, mas me incomodo muito com autores que cismam que querem ter um livro grande e por conta disse enchem as páginas de abobrinha! O que não quer dizer que não goste dos grandes, mas são pouquíssimos os livros grandes que li que realmente adorei o fato de terem muitas e muitas páginas… A verdade é que acho que é mais fácil (tanto comercialmente falando já que o valor final do livro será mais acessível quanto em termos de qualidade da obra) fazer um livro com menos páginas bom, do que um que se perde nas enrolações e divagações… Mas como disse, acho que depende muito do autor, ele tem conteudo ou apenas cismou que quer escrever um tijolão? Mais uma vez vou citar a querida Fernanda França: “Não sabe o que dizer? Não diga!” Um beijo e seja muito bem-vindo ao mundo Bookaholic :07

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Administradora do blog.

#2 Dana 25-04-2012 - 12:57 -
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Uau, curti demais o texto. ^^
Para mim, tamanho não é documento, eu compro e leio independente disso, já que o meu interesse pelo livro se dá pela sinopse e pelas opiniões e, no fim, se ele se revelar um livro delicioso, muito melhor que seja grossinho. No entanto, se um livro é bastante criticado e não me chamou MUITO a atenção, se ele tiver muitas páginas, dificilmente eu lerei.
Eu creio que não exista um número de páginas que seja responsável pelo sucesso (ou não) do livro, porém, já vi inúmeras resenhas e críticas que se baseiam nisso, como se poucas páginas fossem retrato de pouca inspiração e, assim, de uma história pouco interessante. Eu discordo dessa ideia. Para mim, a história tem que ir até onde chega, e não ser esticada com inúmeros repetecos que só enchem a paciência do leitor. Minha opinião.
Beijo, gente!

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Enderson Rafael responde:

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É isso aí, Dana! Concordo com vc! falam em 200 páginas como um número bom, mas se a história pede mais, escrevemos mais. Se pede menos, escrevemos menos. Um livro mais grosso é vistoso, mas num futuro tomado de ereaders, onde o zoom que vc dá na fonte já altera o número de páginas, que diferença isso vai fazer?! Beijos!

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#3 lycia 25-04-2012 - 14:00 -
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OLá Ende! Que bom vê-lo iniciando a coluna Literatura e blá, blá, blá… E olha, achei o seu tema super interessante. Ao meu ver, não importa quantas páginas o livro tenha desde que ele me entretenha durante toda a história. Aliás, tem livros que vc DESEJA ardentemente que dure mais, de tão bons. Já outros, com apenas 150 páginas, nos dão vontade de tacá-lo na parede na página 20. Eu simplesmente ODEIO quando vejo que o autor está enrolando sem nenhum propósito para a trama. E isso é facilmente percebido por mim. Irrita-me profundamente. Não vejo, portanto, grande influência PARA MIM no tamanho do livro, e sim na sua complexidade. Amei livros de 900 páginas e amei livros de 100 também. Na minha opinião, se o livro for bom: just have fun! BJKAS.

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Enderson Rafael responde:

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Oi, parceira! Ler uma coisa, e concordo contigo e com a Dana. mas e pra escrever? Qdo vc escreve vc se impõe uma meta em número de páginas? Não te preocupa se está mto fininho? bjo!

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Lycia responde:

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Só me preocupo qdo é livro escolar que sei que mais de 120 páginas os colégios não aceitam muito bem, mas nos romances não fico me cobrando, não. Quando acabou, acabou. bjs

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#4 Yara Prado 25-04-2012 - 15:42 -
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Adorei o tema!
Eu sempre me pego pensando nisso… Na questão do tamanho dos livros.
Quer dizer, eu já li livros pequenininhos que me marcaram profundamente e outros mais recheados que passaram sem tanto impacto assim… E vise versa, claro.
Se for um livro pequeno, pode ser que tudo seja meio corrido e se for grande, tudo muito enrolado e cansativo… É bem complicado…
Eu gosto mais de carregar livros mais grossos, dá a impressão de que são mais reais, mas os fininhos são mais fofos…rs (Já deu para perceber que eu gosto dos dois, né?rsrs)
Mas acredito que não tem muita relação com a quantidade de páginas, e sim com o que está nas páginas, né?
O desenrolar da história, a narrativa, os personagens, as descrições, são o que realmente fazem o livro, então não me prendo muito à questão da quantidade de páginas…
Bjs, estou adorando esta coluna, parabéns Ende!

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Enderson Rafael responde:

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Oi, Yara! Bom saber que estou no caminho certo:-) Não poderia simplesmente inventar mais páginas só pq o livro ficou curto demais… Beijo enorme e obrigado pelo comentário!

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#5 Lis 25-04-2012 - 15:58 -
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Adorei o texto!
É um assunto para se pensar, afinal já vi gente reclamando de preço de livro levando em consideração o número de páginas, e isso é uma coisa triste, pois eu realmente acho que uma coisa não influencia em nada na outra. Temos ótimos livros com poucas ou muitas páginas, e claro sempre estaremos sujeitos ao inverso também. Um livro engloba muito mais do que páginas, então nem o autor pode se prender nisso e muito menos o leitor em avaliar um livro pela sua imagem na estante, sem ao menos saber o conteúdo, somente pelo tamanho, afinal ninguém é adivinha que só de olhar para o livro vai saber se o mesmo é bom ou ruim, não é mesmo?!
Enfim, ótimo post ;)

Beijos
Lis – Batalha Literária

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Enderson Rafael responde:

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É isso aí, Lis! Prendamo-nos a boas histórias, sejam elas longas ou curtas:-) Beijo grande!

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#6 Babi Dewet 26-04-2012 - 01:24 -
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Tamanho, de forma alguma, é o que faz as pessoas comprarem um livro. A não ser que esteja procurando por uma leitura rápida e tudo mais. Também essa de comprar o que tem mais páginas porque está o mesmo preço do menor, só se for um livro que tanto faz ler. Se você quer mesmo, você compra. Independente do preço.
O que você disse também é verdade, o livro precisa pagar todo mundo que trabalhou nele e só a gente sabe bem como isso não é fácil.
A nova edição do meu livro aumentou mais de 50 páginas e, com isso, o preço acaba subindo um pouco também. São pequenas coisas que não se tem muito controle quando se quer escrever uma história.
E é o bom da literatura, poder brincar com essa “falta de controle”!
Adorei o texto, sugar =**

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Enderson Rafael responde:

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Dewet!!!!!! Que bom te ver por aqui! As pessoas que são mais displicentes, como vc disse, acho que podem dar alguma ênfase ao tamanho, a leitura do “tanto faz”, como vc disse. Mas qdo a gente quer mesmo, naum importa o tamanho. Concordo;-) Beijão! Quero te encontrar na Bienal de SP!

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#7 Geisa 26-04-2012 - 02:29 -
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Acho que não tem essa de tamanho. Eu compro pelo meu interesse, mesmo, na história, na temática. Já vi livros curtinhos que amei, como o Marina, do Zafón, e que detestei, como O Fim do Verão, da Rosamunde Pilcher, que é tão arrastado, pra no final se “resolver” do nada…enfim heueehue
Assim como maiores, como As Crônicas de Gelo e Fogo, que amo, e A Rainha dos Condenados, da Anne Rice, que tem coisa demais sobrando, pra mim…
No final, o que faz diferença é a habilidade do autor em construir uma boa história, com uma narrativa bacana. Alguns precisam de muitas páginas, outros precisam de menos, então número de páginas não é um bom parâmetro. Vale lembrar dos Catadores de Concha, também da Rosamunde Pilcher, que é lindo, e tem mais de 600 páginas.
Adorei o texto! ^^

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#8 Fernanda Rocha 26-04-2012 - 22:09 -
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Oie…tamanho do livro não interessa não. Teve uns livros finos que demorei diassss para ler e em outros casos livros super grossos li em poucos dias. Um exemplo é o livro Cruzando o Caminho do Sol que estou lendo, comecei sábado e li somente no sábado quase 200 pgs! Com certeza vou terminar em menos de uma semana. Tamanho não interessa não…o que importa é que impacto que a história causa na gente… :)

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#9 Tatiana Leite 01-05-2012 - 17:45 -
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Oi, Ende! Parabéns pela coluna! Seja muuito bem-vindo à equipe! :29 Que ela faça muito sucesso!
Tamanho só é documento pra mim quando eu penso em como vou fazer pra carregar o livro na bolsa (porque ela já pesada por natureza – sério, não sei como fui comprar essa bolsa! Mesmo vazia ela pesa horrores!), ou se eu já estiver lendo e o braço começar a ficar cansado com o peso ou se o livro estiver muito bom ou muito ruim e eu querer ou não que ele acabe logo. Tenho consciência de que o tamanho dele, as dimensões e o peso influenciam na hora de taxar um preço (tanto que é fácil a gente adivinhar um preço pra um livro – eu consigo, pelo menos!), mas vamos combinar que nem sempre o maior pacote contém o melhor conteúdo!
Gosto quando os livros são enormes e as histórias são verdadeiras viagens prazerosas, daquelas que não importa o meio de transporte, e sim a alegria a que você está submetido o tempo todo. São essas viagens que duram para sempre na memória, que nos fazem ter vontade de voltar sempre pro tal lugar, que te faz querer indicar a todos o mesmo roteiro que você seguiu para chegar até lá… Não há dúvidas de que essas viagens são unanimidade na vida de cada um.
Mas aí você começa a pensar naquela viagem “comercial”, que você é forçado a fazer, que o lugar é ruim, que o clima é péssimo, que não tem nada de bom para fazer e que simplesmente nunca estaria na sua lista de “cidades possivelmente habitáveis por mim, num futuro incerto” (eu adoro fazer listas disso!). Você quer ficar longe dessa cidade, não importa quantos habitantes ela tenha, quantas praças, parques, bosques, shoppings ou seja lá o que não faz diferença na sua vida.
A mesma coisa acontece com os livros. Não interessa se ele foi um best-seller no exterior. Não interessa se é o mais comentado entre os seus amigos. Não importa, muito menos, se ele é o livro “da vez”. Se você leu e não gostou, esse livro não serve para você. Você pode não ter personalidade nenhuma e até tentar ler um pouco para se “enturmar”, mas a sua história vai ser como aquela viagem forçada, onde as peças parecem não fazer sentido.
Então eu sou favorável a todos procurarem algo que gostam de ler, que lhes façam bem, que ensinem algo (ou não!) e que faça com o seu tempo o que uma viagem prazerosa faz com uma pessoa! \o/

Beijos!

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Enderson Rafael responde:

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Oi, Tati! Obrigado:-) Hahaha esssa de estimar o preço pelo tamanho foi ótema! ‘E como dizem os escoceses: o melhor whisky ‘e aquele que vc mais gosta. :-) Bjo!!!

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#10 Filipe Machado 01-05-2012 - 23:47 -
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Não existe essa de tamanho ideal. Melhor um livro ótimo, super gostoso de ler, que tenha 100 páginas, do que um horroroso de 300 ou 400. Para alguns, o fato dele ser meio “grossinho” pode chamar a atenção, dar de entender que ali existe bastante história e tal. Logo, o que aparenta ser história, pode não se passar de enchimento de linguiça. O número de páginas é exclusivo para a obra. Se a obra se desfecha em em 200 páginas, assim seja. Mas se pede mais ou menos, amém também. Só o que não vale é pegar uma trama que dá pra ser muito bem desenvolvida em um só livro e enrolar pra transformar em três só pra ganhar dinheiro né…

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Enderson Rafael responde:

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Concordo completamente, Filipe. Enrolar o leitor não tá com nada… ;-)

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